"Por vezes também (nós) somos avestruzes"
A importância de não estar, mantendo-nos em "bom" estar

Por um dia que tardou em chegar! Cá estamos em modo primavera, a brotar com novos textos, com novas saudações e com um espaço novo!
Todos nós recordamos (e ainda vivemos) um novo tempo de reconstrução interna ou externa aumentada na urgência de sair à rua, ver os dias solarengos que nos alimentam a alma e aquecem o corpo e abafar os poucos os meses que se fizeram longos, difíceis e - quiçá - duros por toda a história que se viveu em Portugal. Atrever-me-ia a dizer por todas as histórias que se viveram em Portugal no primeiro trimestre de 2026.
Pois bem! É tempo de renovar!
Em modo de recordar quem somos (juntos, porque sozinha não sei ser) escrevo no lugar da vulnerabilidade que os dias difíceis podem trazer, senão vejamos: entre janeiro e março de 2026 eu...
- estive de baixa 15 dias de janeiro para assistência à família: vivi em primeiro lugar as fragilidades de sistemas imunitários quando não cuidamos bem da nossa alimentação durante um inverno que se mostrou longo e rigoroso. A sensação, na altura, era de que teria ido de férias no Natal e não regressei... por tempo que se mostrou indeterminado;
- ouvi, acompanhei e apoiei com muitos de vós as vítimas da Tempestade Kristin (NOTA: escreve Tempestade com letra maiúscula porque me parece que - ainda que por motivos nefastos - o seu tamanho e reconhecimento assim o exige, perdoem-me os professores de português, ou corrijam-me se "até" acertei na lógica da regra;
- fiz posts de Instagram diários de forma a informar aqueles de vós que estaríamos disponíveis às muitas ajudas que conseguimos dar perto do concelho de Leiria;
- faltei ao trabalho mais um bocadinho de fevereiro (porque 15 dias só não chegaria...) para atrasar um pouco mais tudo o que ficou pendente em janeiro
- recebi as críticas que se esperam de crianças pequenas - honestas no pensar e no sentir - que apontavam a minha ausência em casa (não há muito a explicar acerca de "turnos extra" que se fazem para reorganizar o caus (caus ou caos???) de agenda dos primeiros 2 meses, é só aceitar;
- fiquei sem carro por tempo indeterminado: as reanimações que tentamos nos nossos carros velhos, velhinhos... que contam as nossas histórias;
- estive em momentos formativos, preparei-os, defendi-os perante outros (ou tentei);
- marquei férias que cancelei (pelos motivos já anotados);
- dormi muito pouco e - por consequência - encontrei um refúgio (temporário) naquela alimentação que se já estava descontrolada e passou pelas ruas da amargura...
- não lancei faturas a quem trabalha comigo, porque me desorganizei (simples assumpção...);
- CLIQUEI NUM LINK!!!!!😱😱😱😱😱 daqueles que acertam em cheio naquele tema que "só nós" tínhamos conhecimento, que nos apanham na curva, que nos destróiem os nervos e nos colocam em modo off, incontactáveis, desconectados e desligados do que importa (e do que há, se quisermos, em excesso). Foi-me reconhecido o estatuto de «vítima» por fraude num processo de demorou menos de 1 mês a ser arquivado (outra história que fica para partilha num qualquer dia de Blog);
- perdi, no meu País, valores e direitos que outros conquistaram por mim, conquistaram por nós!;
- votei para uma nova presidência, anulando espaços de ódio aberto à diferença ou de amor ligado à indiferença, à desconecção e muito, muito à desinformação!;
- bati palmas (que não deveriam ser batidas) a pedidos básicos de subsistência dos sistemas devolvendo às pessoas o que lhes é devido....
- chorei guerras que não têm nome em países que deixaram de o ser há muito....
- .... valerá a pena mais manifestações? Creio que não!
Há dias, num tempo onde o sol se permitiu a brilhar e a Primavera ajudou as flores a espreitar ouvia partilhas, entre terapeutas, acerca do facto de que «também nós por vezes somos avestruzes». Foi o único apontamento que retirei de uma manhã de supervisão entre colegas. Porque, de facto, não raras vezes munimo-nos de ferramentas que entregamos a outros a cada dia da nossa vida, nos trabalhos que fazemos com brio, entrega e profissionalismo. Mas o pintor esquece-se de pintar a sua casa, o canalizador nunca tem tempo para arranjar o autoclismo que corre, o artista deixa de criar naquele ninho que costuma ser casa, o professor corrige testes e respeito educativo e pedagógico, mas perde espaço para recriar novas formas de inventar a curiosidade dentro de si mesmo. E os psicólogos (descobri, imagine-se) também são seguidos em psiquiatria. Os médicos também dores, e os enfermeiros também são operados e ficam à mercê de outros colegas.
O mundo, aquele em vivemos, em que eu vivo convosco está estranho e vocês ficam estranhos com ele: questionam as vossas dores, o vosso cansaço, o vosso tempo e enaltecem as vossas falências. Dão-lhes vida e acreditam, com isso, que estão mais maduros.
Bom... eu escondi a cabeça (durante 3 meses) debaixo da terra, tipo avestruz... precisamente como avestruz. E está tudo com isso. Humanizei as falhas que podia, ri das coisas tontas e lamentei que o mundo não fosse só isso: risos simples de coisas tontas que por vezes tropeçam em nós. Acho que fui sendo perdoada :) acima de tudo por mim.
Por hoje deixo-vos a imagem do resguardo numa cabeça escondida na terra.... mas muito em breve... as novidades chegarão em grande! Daquelas que já conhecem, mas ainda não falámos alto (tal qual aquele pensamento que só existe quando partilhado com outros...)
Vamos juntos? 🌻
