7 dias, 7 projetos, 1000 caminhos, 1 desafio... e o Gury

04-11-2026

Do Gury para o mundo 

Há escorregas que surgem de uma tarde numa cidade nova onde, como outrora, procuramos os lugares que são do povo e dos costumes da Terra. O Gury não é um projeto só: é a junção de muitos nas mãos de um artista que – como outros – não se considera artista…antes sortudo pela facilidade do traço desenhado e das molduras construídas com o infinito dentro de si. O Rui ajuda os amigos na Setes, um projeto que transforma materiais ligados à fotografia em objetos únicos, cruzando upcycling, ilustração e arte. E foi assim que conheci o seu trabalho. Fiquei curiosa sobre uma frase que traz no discurso, onde deixa escapar um "tenho de voltar a desenhar porque já me está a fazer falta". Há qualquer coisa que se movimenta nos seus desenhos, mas também na sua mente. Não é uma névoa ou algo que se dissipa e gosto de pensar neste projeto como um lugar onde as emoções entram em modo centrífugo e saem em modo uníssono. Elas chegam a alguém, como se lhes tocasse. Na realidade, o tracejar é um dos nossos primeiros movimentos, a seguir ao segurar do corpo, aprender a levantar-nos, gatinhar, andar… depois disto somos imbatíveis! Seguramos uma colher, um lápis e voilá! Fazemos os nossos primeiros rabiscos. 😊 Moreno fala-nos muitas vezes da perda de espontaneidade no adulto, o que acaba por fazer "adoecer" a sua mente. Creio que foi isso que não aconteceu com Rui, que ao longo da vida cuidou de guardar este "traço". Ele diz-nos que o traço sempre existiu: um carro (esboço) não é um carro: é o início desse desenho, como que se da planta de uma casa de tratasse. Delineia-se e define-se no espaço, mas depois é preenchido pelos detalhes do momento. Importa dizer que, no Rui, os detalhes podem acontecer de diferentes formas e não apenas pelo desenho: tendo vivido cerca de 20 anos longe da sua cidade, no Porto, o Rui percebeu que a construção de uma horta biológica, um jardim comestível e a conexão à natureza também são formas de ligar mente e corpo na busca de um equilíbrio maior dentro de nós.

Agora imaginem: o que aconteceria se os seus trabalhos desenhados estivessem numa galeria num grande (ou pequeno) museu? Como os olharíamos? Qual o valor que têm e quanto estaríamos dispostos a pagar para o(s) ter numa parede nossa? Bom… estes desenhos, ou parte deles, estarão algures por esta Europa fora, assinados com um r. de alguém que não reconhece o impacte que estas imagens proporcionam e, como tal, foi os dando a amigos e conhecidos. Do nada cria imagens que representam pedaços das pessoas, e de uma tarde de sol recolhe os rasgos de luz e recorta a sua imagem (tão só e apenas) para os partilhar com outros.

Façamos, ainda, outro exercício: o de não pudermos partilhar! Não podemos partilhar um bom dia ao nosso vizinho de baixo, ou não sabemos o nome da senhora que todos os dias me serve o café perto do trabalho. Não percebemos que o pôr do sol será o último da vida de alguém nem tão pouco que a nossa solitude se pode tornar em solidão, se não a devolvermos a quem nos rodeia. Acho que foi assim que conheci o Rui e os seus projetos, ainda eternamente inacabados: uma olhar super observador do que está fora, mas com um coração que pulsa apenas para nos desejar um bom dia. Já muitos desenhos passaram pela minha mão: os mais toscos feitos como se de «pessoas palito» se tratasse, e incríveis pedaços de arte que nos trazem histórias gigantes… todas elas falam acerca dos que carregam o lápis. O desenho é um espelho reflexo do que somos cá dentro. Pode ser uma Alice no País das Maravilhas, um Bohemian Rhapsody, um louco sem orelha ou reconhecimento, um Valentim de Barros ou uma democracia calada. O Rui espelha-nos isto tudo, e um dia vai devolver o Gury às ruas e às paredes das casas.

Por hoje, deixamos-vos os seus trabalhos (descubram), a sua página, e alguns dos trabalhos da Setes que vivamente recomendamos 😊

Que das espirais nasçam curvas, sons, movimentos e vidas psicologicamente saudáveis. 

Encontramos mais informação sobre o trabalho do Rui na sua página pessoal (clica aqui). Também o trabalho dos amigos da Setes fica aqui, para quem se possa interessar. A palavra_ao_corpo passa a ser igual espaço para dar voz a estes projetos e criações e, assim, seguimos rumo ao acrescento de mais um detalhe feito com cuidado, interesse e atenção para a nossa Manta. 

Caminhar junto é caminhar ligado. Conecta-te! 

Vamos lá! 🌻

Share