7 dias, 7 projetos, 1000 caminhos, 1 desafio... e A Bolha

06-11-2026

Eu vivo na minha bolha e dela toco o mundo...

                                                                                                                                                                                                                   Ricardo Reis

Sabem quando se sentam da melhor forma que o tempo nos permite, e se sentem agarrados por alguém? É este o sentimento quando nos deparamos de frente com os mentores d'A Bolha. Eles não me conhecem de lado nenhum! Só as vistas de quem no Concelho se vai descobrindo em trocas de olhares fugazes. E abriram-me a porta a um convite simples: posso falar convosco? Sobre como é falar com as pessoas, sobre como é tocar a sua necessidade? Sobre… sobre… sobre como é ter uma Bolha? Tão queridos que foram, agradeço-lhes a casa aberta, e o sorriso cheio de curiosidade.

«A Bolha é uma matéria efémera que surge, ganha uma forma e desvanece. Ela pode mudar, pode crescer quando toca a outros, ficar diferente e criar-se de encontros e de sinergias. A bolha não é previsível e é a sua imprevisibilidade que nos permite ligar-nos às pessoas.» «Não ficamos na nossa Bolha!», diz o Manuel e rimos todos! Afinal foi um trocadilho incrível. Eu acho, na realidade, que esta entrevista foi um trocadilho em si.

Para quem nunca pensou nisto antes (preparem-se, é mind-blown!) HÁ FÍSICA NAS MARIONETAS… Verdade! Como é que um material tão poético se liga tão intimamente a tão exata e evidente, da qual muitos fogem com total incompreensão? A Ana é uma eterna curiosa pelos materiais, gosta de explorar, experimentar, criar com as mãos e com o corpo, não fosse ela mesma atriz de formação. Deixa-nos, da sua história, a presença dos livros e a biblioteca do pai em casa, traz as recordações da cultura (as idas a espetáculos, música…) e a criação prática e pragmática da mãe: temos uma coisa a fazer? Pois que se faça! O Manel é, por sua vez, quem dá a estrutura intelectual à coisa, fazendo cálculos sobre qual o fio que puxo, onde e como para que cada gesto desta marioneta seja único e especial. Adorava o MacGyver e – quiçá – fruto disso aceitou o desafio da Ana para «pegar em histórias e torná-las "contadores de histórias" em si». EU acho, todavia, que nenhum deles pensa em constante no que criam e unem com as imagens que nos dão.

Ambos falam de lugares bonitos e felizes, com a dificuldade de escolher o que tocou mais. Talvez pelo COVID-19 a Ana fala do Transparente – Conta comigo uma história e o Manuel no INVADM e neste "consultório sentimental, onde os adolescentes experimentaram ser, criar, dizer para todos os que se disponibilizassem a ouvi-los. E se havia gente disponível, seriam "os da Bolha".

Novamente em modo cambalhota, A Bolha é o mais do que nos tentam passar: um plano completo e inteiro na entrega que é feita a cada projeto e – mais que isso – em cada dia. Tão evidente, não é? Para mim «bolha» é um sítio onde eu fico quieta, onde não se entra sem autorização. É um lugar meu onde me defino e construo, onde me penso. É um espaço secreto que ninguém vê, ouve ou toca.

Foi muito bonito ouvir, como noutras histórias que me tocam, a profundidade que a palavra bolha pode assumir, e a Ana e a Manel mostraram-me precisamente isso. Num lugar que só se constrói porque se gosta muito de resolver problemas, juntei duas pessoas que trarei comigo anos fora e com quem (e de quem) quero aprender imensamente. Eles estão mesmo a ver-nos passar, dizem coisas estranhamente delicadas de quem escuta ativo: «o que se está a passar no território não vem de um sítio específico.» Somos permeáveis e muito bons a fazer amigos, a criam laços, sinergias, projetos que contaminam. E sabem o mágico disto? Fazem-no com bonecos! Quão especial isto tem de ser? 1000 obrigadas pelo vosso tempo! Vou difundir todos os vossos projetos, falhar na capacidade de interpretação de cada um, acreditando que só olhando com os meus olhos poderei ver realmente o outro lado. 

Vamos lá?

"Encontro de dois.
Olho no olho.
Cara a cara.
E quando estiveres perto
eu arrancarei
os seus olhos
e os colocarei no lugar dos meus.
E tu arrancará
os meus olhos
e os colocará no lugar dos teus.
Então eu te olharei com teus olhos
e tu me olharás com os meus.
"

Jacob Levi Moreno, 1914-1915

Eu sou o homem dos 7 instrumentos…

Não, o Carlos não diz assim. A Ana também não. Mas ambos recriaram e recriam um conceito que podia ser "só mais uma" van alugada. Não é! Eles são de sorriso e braços inteiros. Marcam as pessoas pela comunicação e por via das carrinhas. Eles ouvem-nos e recebem-nos. Pensam na solução para a melhor experiência, o melhor colo, a melhor história. Têm sempre uns braços (e frigorífico) sempre abertos para nós, e a porta da sua casa diz o importante: "Não tenho inimigos. Tenho fãs revoltados».

Para ser grande, sê inteiro: Nada teu exagera ou exclui…

NOTA DE RODAPÉ: os frigoríficos do Carlos e da Ana são mesmo únicos. O segredo??? Só alugando uma van nas próximas férias… 

Encontramos mais informação sobre todos os projetos d' A Bolha (clica aqui). Esta página passa a ser igual espaço para fazer valer projetos e imagens como as que nascem da atenção e detalhe que a Ana e o Manel colocam em cada peça desenha, pensada, criada e interpretada. E assim fazemo-nos próximos desta Manta de bons recortes... 

Caminhar junto é caminhar ligado. Conecta-te! 

Vamos lá! 🌻

Share