7 dias, 7 projetos, 1000 caminhos, 1 desafio... e a FLUI
Se queres uma nuvem, salta e torna-a tua
Falar da Maria e da FLUI é tão difícil quanto espontâneo. Por isso decidi "rasgar os papéis todos" e fazer o que melhor sei fazer sobre quem me toca: explicá-los com um sorriso grande na cara daqueles que fazem os olhos brilhar, e trazem às mãos a caneta e o caderno.
A dança é um espaço de enamoramento pessoal, onde nos deixamos seduzir pelos sons, pelos ritmos… fluímos. A Maria diz há muito "deixa fluir…" e a vida encarregou-se de a fazer assim, leve e descontraída… Ou não tanto assim
Dançar é um ato espontâneo de reconhecimento do nosso corpo. Quando um corpo ouve e sente ele movimenta-se livre no espaço e – de facto – encontramos essa fluidez pelo caminho. Coreografar 159 corpos, porém, com idades entre os 4 e os 55 é POETIZAR o corpo e isso não se pode fazer sem impacto, força, comprometimento e muito amor. Dançar é tornar o corpo matéria viva contadora de histórias.
Lembro-me da primeira vez que vi um bailado. Meu Deus, que arrombo emocional!
No ballet, em particular, há uma cadência que faz os corpos voarem:
Fechem os olhos, e vejam…
Não… mais um pouco, vamos…
Insistam na imagem, deixem-se ficar nela… (quem ainda não fechou os olhos, não seja batoteiro… deixem-se ficar, nós esperamos deste lado).
Contem até 30… Se possível até 60… Respirem, nós esperamos.
Vamos… vislumbrem só…
Conseguiram?
A Maria consegue. Consegue e percebe que a sua vida não foi feita para estar quieta. Nem mente, nem corpo. (nesta fase, aproveitem e vejam também a Maria na vossa mente, pois foi aí que ela começou, no ballet). Anos mais tarde "apaixonou-se" pela sua professora de dança e disse para si (baixinho, ao ouvido, como quem devolve um segredo a si mesma) "Eu quero ser como a minha professora".
Os espetáculos da Maria são um filme que se vai ver: tem os adereços, os penteados, o cenário, os sons e luzes… a ação. E sempre, sempre a moral do conto! A Maria não faz ao acaso. Fica quieta no seu modo de sarar o mundo e baila com ele para o curar. E se o nosso mundo tem vindo a estar doente…
Quando lhe perguntamos para onde vai, não sabe dizer: curioso no entanto, que diz não saber enquanto prepara doces de Halloween para os seus meninos e aguarda que uma "fornada" de cerâmica fria fique pronta para os mimar por esses dias. Curioso não saber, quando decidiu que não atua "só porque sim": "Este ano sempre que houverem demonstrações, vão ter de servir uma causa, vão ter de ser para ajudar alguém!". A história da Matilde, for a primeira causa… Conheces alguém a precisar de um empurrão bom na vida? Diz-lhe, ela faz magia 😊
A Maria não constrói para ela. Ela constrói para a FLUI, e com isso ajuda a cuidar e amar mais pelo e para o outro. É tão feliz no que faz que não sabe das histórias felizes, porque todas lhe dão CASA. A si, e aos seus alunos. Ela é, assim, uma porteira mágica, que nos segura pela mão e nos ensina no espelho. Ela é mãe, professora, exemplo, exigência, perfeição… Maria Mulher!
Sei, da sua entrevista, que fez uma batota gigante daquela igual à da minha avó quando perdia um jogo de cartas e não o sabia assumir. A Maria é assim, dessas que não sabe ganhar sozinha. Ela só ganha pelo dar. Nunca me senti sozinha ao seu lado, porque ela ensina com colo, afeto e entrega. Sempre me fez sentir que o palco é de quem o pisa consigo: acima de tudo cada criança, cada jovem e cada adulto.
Esta é a minha entrevista mais difícil de expressar. Não tem histórias mais bonitas que outras, porque todas eternizam um tema: Mãe-Natureza; Família; Mulher; Fantasia e Sonhos… A Maria é uma nuvem que não se puxa à terra, uma onda que não se rouba ao mar, uma borboleta sem casulo para dormir ou descansar. E num espaço sensível que quis dar a alguém meu para que se expressasse, resgatei parte importante de quem sou na vida: sou do palco, sou do corpo, sou do psicodrama e sou da FLUI
Recebe, querida Maria, todos os abraços e mimos que os teus alunos te dão porque tu ensinas cada um no seu modo particular de ser a escutar o seu corpo, a curar as suas feridas, a expulsar os seus demónios e respeitar o seu contorno. Tu ajuda-los a cuidar, deixando voar em todas as direções o Norte que te devolvemos em recíproca partilha de respeito e identidade. Com a FLUI, somos (mais) 159 de ti, a espalhar das coisas que o Mundo precisa.
Quem canta seus males espanta… e eu acrescento… Quem dança também, porque trouxeste uma parte de muita, muita saúde mental ao meu corpo e por isso a mim. Dancem gente… dancem, gritem, saltem, abracem, riam, errem e peçam ajuda para se levantar. Mas dancem sempre com a vida.
Obrigada Maria, obrigada FLUI!
NOTA DE RODAPÉ: A Maria não vai querer deixar a Flui fluir sem os que a seguram nesta dança, os seus atores de cena em "bastidor-casa". A ele(s) o seu obrigada por dançarem com ela, e porem a(s) sua(s) música(s) a tocar.
Encontramos mais informação sobre o Estúdio FLUI (clica aqui). Esta página passa a ser igual espaço para apresentar trabalhos que nascem daqui, bem como parte das ajudas que a Maria tenta ajudar nas demonstrações. A nossa Manta está quase quase terminada.
Caminhar junto é caminhar ligado. Conecta-te!
Vamos lá! 🌻
