7 dias, 7 projetos, 1000 caminhos, 1 desafio... e a SALLY
Voa como se fosses ave... e deixa-te ficar
Começo por agradecer à arte nas suas mais diversas formas, o lugar que me
oferece no mundo, quando me permite à música, à pintura, à literatura, com
especial carinho para com a poesia, porque foram (e são) eles que me salvam
neste lugar de atalhos, desvios e espaços tantas vezes desintegrados ou
solitários.
A Salomé é um estado de arte em todas as suas manifestações e hoje, é sobre ela. Foi já há largos anos que tomei conta do trabalho da Salomé: as escolas, lugar de partilha de conhecimento, exploração da criatividade e pensamento crítico estavam a ficar doentes e incapazes de se projetar no futuro. Com elas, professores, alunos e colaboradores, pais e famílias inteiras pareciam ir apagando a urgência de se viver com paixão (acerca das coisas do Homem e do Mundo). Existia, então, em Torres Vedras um projeto - Rede Viva - que trazia todos ao debate acerca do estado do mundo numa perspetiva educacional: o que poderíamos modificar dentro das estruturas escolares para que as cisões entre a educação, o respeito, e o acolhimento a todos trouxesse para o centro do debate a necessidade de regressar às origens do "como se faz?". Psicólogos, educadores, pais, técnicos da Câmara, um ou outro colega ligado às estruturas político-partidárias discutíamos como ligar as crianças ao mundo (outra vez), como que se para enraizar um cordão de Humanidade que parecia abafado.
A Salomé é uma das pessoas que se mexe, que se incomoda. E incomoda-se até aos dias de hoje, assumindo em cada papel que nos entrega a sua vontade de ser cura. Traz-nos o nome de Sally que carrega de uma história homenageada pelo passado àqueles que queremos eternizar em nós. Canta sobre a intervenção, traz a história do pós 25 de abril em reportórios que nos são mais desconhecidos, deixando-nos imersos em performances de poesia, músicas originais, animação infanto-juvenil ou socio-cultural. Levanta um manto de invisibilidade protetor e oferece-nos a Miss Bubble, personagem metafórmica que anda sempre com bolhas de sabão e uma ponte alegre para um mundo mágico cheio de possibilidades. Sally traz-nos o Poerôt desenho do teatro minimalista feito para nos ler mitos e lendas desenhados por si e refutados por esses mesmos princípios.
A Salomé não se pode descrever – nem tão pouco qualquer outro dos projetos trazidos até vós por estes dias – num texto "rudimentar" que poucas linhas. Mas cessa um plano do que aqui escrevemos para vos trazer o Estado do Mundo. Termino a contar sobre os seus projetos que não se deixa ficar nos polos. Gosta de se pensar como "o caminho", um caminho a meio da estrada, um encontro entre as pessoas e o confronto ou a resolução de algo. E não há nada mais Moreniano do que esta perspetiva.
Um mundo que ponderámos durante 3 dias de congresso da Sociedade Portuguesa de Psicodrama. Precisámos que ela fosse o último texto, o último projeto, porque nos pareceu o mais maleável para traduzir todos os estados de arte que manifestamente procurámos com cuidado e interesse que permitisse tocar cada um de nós!
A arte é um ser infinito que nos habita desde a primeira infância, e desde o mais selvagem que há em nós. Ela não pede autorização, ela já está, ela coabita-nos. O psicodrama é das coisas que mais nos humaniza! Tal como a arte, na realidade.
De facto, é preciso ser artista para nos deixarmos apaixonar pelo DRAMA e pelas pessoas que dele fazem casa.
Chegamos ao fim deste desafio (longo e difícil na articulação com os tempos de relógio), mas este foi o caminho escolhido para vos trazer a mudança que acontece "em palco. Amanhã, trazemos um novo começo, num mundo em constante mudança que pode ser lido por muitos, com propostas muito válidas. Eu lê-las-ei aos olhos do meu modelo psicoterapêutico, e agradeço – novamente – todos os que se prestaram a deixar-me escutar. Deram-me muito mais do que projetos, deram-me vida, a vossa, e a que gentilmente procuraram oferecer aos outros.
Nota de rodapé a este pormenor, é totalmente claro o quão menos imparciais os textos se foram tornando, ao longo dos dias… Acho que me deixei contagiar por todas as coisas bonitas que me devolveram, que me devolvem, e que tento agora dar a outros em modo espelho.
Que nos possamos encontrar, sempre. Pois tornam o meu espaço, e o meu mundo muito muito mais feliz e completo. É feito de todos, sem importância ou escala de maior ou menor no lugar que ocuparam nos últimos dias. São todos, todos, distintos, e a todos dediquei o respeito de vos trazer cá para fora. A magia continua a partir de amanhã. Que a façamos a ver-nos entre nós.
Em qualquer espaço onde o Psicodrama viva (e se respire) os presentes mantêm viva uma chama de ingenuidade e honestidade que nos coloca frente a frente com o nosso amor, mas também com as nossas sombras.
E está tudo bem com isso…
Encontramos mais informação sobre a Sally like a poem (clica aqui). Esta página passa a ser igual espaço para apresentar trabalhos que nascem de si.
Por agora a manta cessa-se em linhas fechadas.... mas temos sempre mais um ponto que lhe possamos acrescentar.
Caminhar junto é caminhar ligado. Conecta-te!
Vamos lá! 🌻
