Prescrições Culturais: um caminho na AMelo

Entre o tempo junho 2026 e os últimos dias tive oportunidade de contactar com diferentes entidades, mais singulares ou mais político-partidárias, que muito nos revelam sobre a importância que a Arte pode ter na qualidade de vida, saúde e bem estar dos indivíduos. Digo (e sublinho) «entre o tempo junho e os últimos dias» porque me não me parecem inócuas as notícias que nos chegam sobre o nosso País por esta data. Este é, assim, o mote ao qual dedicarei as próximas semanas e news destes lados: a prescrição cultural e social. Assim, parece-me fundamental dizer que as atuais manifestações são - numa ótica mais ou menos clínica, conforme a queiramos ler - fruto manifesto de uma globalização sintomatológica que potencia a doença mental não promovendo, por consequência, a saúde mental. Vamos a isso então!
Em Portugal a prescrição cultural tem vindo a ser implementada e testada por recurso a projetos-piloto institucionais regionais ou consórcios públicos. O objetivo final é criar evidência científica para desenhar um modelo formal regulamentado pelo Governo e integrá-lo no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Não obstante a importância que pode assumir o papel governamental e das políticas inerentes à criação deste novo "lugar" de saúde, a psicologia - que é, por si, validada precisamente dentro da vertente científica - não se cinge à verificação de critérios e diagnósticos, estende-se também à relação entre dois, paciente e terapeuta. Não raras vezes é papel do psicólogo ser «observador ouvinte» daquele que está à sua frente. Porém, aquela relação tão privilegiada de um para um é muitas vezes espaço único de encontro consigo mesmo, pelo que à saída da consulta aquela pessoa perde o lugar seguro para manifestar a(s) sua(s) intenções, manifestações e identidade. Ora, é aqui que a arte - nas suas mais diversas formas de manifestação - ganha palco e constrói caminho relacionais (já amplamente estudados) como protetores contra o declínio cognitivo, aumento de longevidade, diminuição dos níveis de stress e regulação neurobiológica, fortalecimento da autoestima e desenvolvimento do autocuidado, tudo fatores que promovem a Saúde Mental. Por exemplo, se observarmos os benefícios da música está nas mais comuns afirmações o poderoso papel que esta desenvolve no estabelecimento de relações.
Validemos, então, os benefícios da partilha de saberes (cinema, exposições, literatura, música, performances, aulas abertas, seminários científicos e culturais e oficinas para crianças) como intuito de promover atividades culturais diversas, numa lógica de democratização do acesso à cultura e ao conhecimento e da promoção de um espírito crítico, criativo, e solidário. Como é que a Arte nos serve o propósito de melhoria de bem estar mental?
- Regulação emocional e redução fisiológica do stress: anula ou inviabiliza o foco de pensamentos intrusivos, ao mesmo tempo que reduz os níveis de cortisol, mitigando sintomas de ansiedade generalizada e depressão;
- Expressão não-verbal como promotor do processamento de situações traumáticas: muitos conflitos internos ou traumas severos (e.g. Stress Pós-Traumático) encontram barreiras na expressão verbal. Um pouco à semelhança do psicodrama que devolve o movimento ao corpo, a arte pode servir como via de comunicação indireta;
- Fortalecimento da autoestima e reuroplasticidade: a ação de criar algo físico ou visual desenvolve a sensação de autoeficácia e autonomia, ao mesmo tempo que protege o cérebro da hiperestimulação. Estes mecanismos promovem e estimulam a conectividade funcional do cérebro (neuroplasticidade) e combatem o isolamento social.
Com base nos princípios acima anotados, encontram-se mais que justificados os motivos pelos quais a AMelo - Clínica de Psicologia e Psicoterapia é um lugar onde se quer que a arte e sua divulgação entrem e sejam manifestos (ou ajudem a manifestar) o que é feito um pouco por todo o País, com particular ênfase no Concelho de Torres Vedras! Lê mais aqui.


Nas próximas semanas vou, assim, formalizar através do Blog as histórias que nos dizem onde está a arte, onde está o acesso à cultura e onde está o espaço e a liberdade para cada um de nós poder, em plena consciência, manifestar as suas necessidades de um modo inteligente, digno que unifique relações e potencie a Saúde e Bem Estar Mental!
