Setembro, mês de (re)começos

30-09-2026

Conseguimos! 

Passada que está a última quinzena de setembro, uma das mais longas para muitos portugueses, cá estamos nós, num final de mês correspondente ao período de pós férias . Este ano, muitas famílias contaram com a "agravante" implicação de um início de escola para o secundário tardio, fruto dos contratempos do final do ano letivo passado pelo que, bem feitas as contas, já se somam alguns meses de verdadeiro stress para muitas famílias portuguesas. 

Este pareceu-nos um tempo adequado para finalizar a rota do mês, avaliando alguns pontos que necessitarão de cuidado extra até ao final do ano civil, senão vejamos: 

  • Cansaço;
  • Desmotivação; 
  • Irritabilidade fácil;
  • Ansiedade ou alterações no sono;
  • Dificuldades de concentração;
  • Tristeza, sensação de vazio;

  • Sintomas físicos (tensão muscular, dores de cabeça...)

Reconhece algum destes sintomas no regresso ao trabalho? Tome, então, atenção! O tempo de férias é, naturalmente, um tempo de maior acalmia, ritmos e horários distintos, menos atividade psíquica, com tempo para restabelecer algumas relações importantes na nossa vida que vão sendo colocadas para segundo plano no decorrer do tempo de trabalho. Assim, é comum que algumas pessoas manifestem maior desconforto ou inquietude perante a ideia de regressar ao trabalho: Podemos pensar nos colegas que vamos encontrar, mas também nas tarefas que nos esperam, e - novamente para tantos - nos ritmos dos filhos e no necessário desdobramento de muitas famílias para o Tetris que é ser pai, funcionário, chefe, retomando espaços e hábitos durante os próximos 11 meses. Em algumas situações anunciam-se novos períodos de conflitos profissionais ou dificuldade em responder adequadamente a todas as solicitações, o que aumenta a sensação de incompetência no funcionário. 

Dados de novembro de 2024, por exemplo, apontam sobre Portugal que «os problemas de Saúde Psicológica mais comuns (i.e., stresse; depressão; ansiedade) afectam quase dois em cada cinco trabalhadores/as (33%), uma prevalência acima da média da União Europeia (27%) (Eurobarómetro, 2022). Um inquérito realizado pelo Laboratório Português dos Ambientes de Trabalho Saudáveis indica que mais de 80% dos/as trabalhadores/as portugueses/as apresenta, pelo menos, um sintoma de burnout (tristeza, irritabilidade, exaustão), sendo que 63% apresenta os três sintomas (Gaspar et al., 2023). Em 2022, o burnout foi incluído na nova Classificação Internacional de Doenças (CID-11), após ser reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma síndrome ocupacional.» (Parecer OPP – Carta de Compromisso "Tempo de Agir – Dar voz à Saúde Mental no Local de Trabalho", , OPP, Novembro 2024). Salientamos, ainda, que «Os riscos psicossociais constituem, hoje em dia, uma das maiores ameaças à Saúde Física e Mental dos trabalhadores, ao bom funcionamento e produtividade das organizações (sejam elas públicas ou privadas). Correspondem aos aspectos da organização e da gestão do trabalho, dos contextos sociais e ambientais relativos ao trabalho que têm potenciais efeitos negativos do ponto de vista psicossocial.» (Saúde Mental e Bem-Estar no Local de Trabalho, OPP, dezembro 2018, 2021). 

Também o regresso à escola para as crianças e adolescentes pode ser um tempo desafiantes, seja porque a etapa de desenvolvimento está modificada no regresso escolar, seja pelas naturais circunstâncias que implicam as típicas mudanças de escola, turma e (tantas vezes) contextos. Apontamos aqui o selo lançado há vários anos pela Ordem dos Psicólogos Portugueses, e que tem vindo a ser divulgado pelos canais correspondentes para o efeito, a Escola Saudável(Mente). 

Não esqueçamos todavia aqueles que - pelos mais distintos motivos - não usufruíram deste tempo de maior acalmia para recuperação de energia e que trabalharam com a constante no discurso dos demais carregando as suas histórias e momentos mais prazerosos. 

Para todos, deixamos este texto, um alerta para a importância de cuidarmos na nossa Saúde Psicológica. Ela não é um luxo, e não deverá ser em momento algum lida ou sentido desse modo. Os sinais acima não devem estender-se no tempo por mais de 15 dias e são alvo de atenção e preocupação se assim se mantiverem. 

A pensar nisto e em conjunto com a Câmara Municipal de Torres Vedras deixamos um convite! Sente-se por 40 a 50 minutos connosco e deixe-se ouvir! Faça um curto rastreio psicológico - gratuito - e avalie com um técnico a perspectiva sobre a qual está a sentir e a viver o espaço em torno de si mesmo. A partir daqui considere as variáveis de modo mais abrangente, e analise a hipótese e/ou necessidade de procurar ajuda psicológica. mais uma vez, pode fazê-lo pelos canais diretos da Ordem dos Psicólogos Portugueses através das georreferenciações disponíveis no site https://encontreumasaida.pt/ . Também a medida do Cheque Psicólogo constitui uma medida criada para facilitar o acesso dos jovens ao aconselhamento psicológico, no âmbito do programa Cuida-te do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ, I.P.). A medida facilita o acesso dos jovens entre os 12 e os 35 anos, inclusive , a um apoio de primeira linha, por via presencial ou remota, de natureza preventiva e promotora da sua saúde psicológica. 

Por último, e relembrando que a resiliência não é algo constante e de que dispomos sempre na mesma medida e formato, recordamos a checklist Sou resiliente?, uma checklist que permite recordar aspetos aos quais estivemos mais atentos durante a pandemia COVID-19, mas que se mantém igualmente atual e importante aos dias de hoje. 

Nós continuamos por aqui, a criar novos sítios, novas histórias e mantas retalhadas em partilhas reais, sobre pessoas reais, com entregas totais. Proteja-se e cuide da sua Saúde Psicológica. Em breve esperamos traduzir mais sobre espaços difíceis para estar, daqueles que nos desafiam (apenas e só) a nós próprios. 

Por agora, vamos lá. 🌻


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